Arquivo do mês: fevereiro 2012

Traição

Com gosto de bebida beijou minha boca. Senti em seu hálito um leve toque de outra mulher. Bebi seu néctar e entreguei mais que meu corpo. Fui sua em todos os momentos em que você era de outra. Me colocou no trono enquanto colocava outra na nossa cama. Senão sempre em matéria, muitas vezes em desejo. Divido meu gozo e minha alegria e você só me traz o gosto amargo do seu deleite com ela. Quem é ela? Por que te faz sentir o que eu não consigo? Qual é a diferença anatômica das nossas terminações? Se seus gemidos são mais cálidos, o meu já se calou. Se apagou em meio aos pensamentos indigestos das horas de contraste da sua língua e do toque dela. O que mais me aflige nao é o seu gozo, mas o sorriso de satisfaçao dela depois de ter estado com você…

 


Uma Puta…

No olhar que me fixou, me tirou do rumo por um instante… Veio em silêncio e tirou a roupa… sem pedir permissão começou a beijar minha nuca e a deslizar sua língua pela borda da minha orelha. Senti meus pelos levantarem, o bico do meu peito endurecer e minha calcinha ficar molhada. Senti meu sangue quente baixar até meus pés. A única coisa que eu pensava: quero ele inteiro dentro de mim. Quero que me machuque, que me devore, que me liberte de mim mesma. Quero ouvir que sou puta no momento em que entra. Sentir-me cachorra e devassa…. quero ser dona do tesão dele. E quero a resposta do gozo mais intenso como prova do seu desejo. Quero mais. Quero inteiro. Quero tudo… Até o momento em que não quero mais nada… Viro pro lado e relaxo. Quero dormir. Sozinha. Sem toques ou carinhos. Não quero mais. Agora, quero somente o meu corpo. Refazê-lo como santuário, depois da orgia que vivenciei em meu pensamento. Quero paz no meu espírito em contraponto a dormência sinalizadora dos meus pés. Quero ele, aqui, me vendo dormir e desejando que nas próximas noites também seja eu a estar do seu lado. Foi quando ouvi o barulho da porta. Saiu sem nem dizer adeus. Agora sim, me senti puta de verdade…